Sunday, March 12, 2006

Irmã



Será uma maldição, irmã?
Irmã perante a sombra,
Será uma proteção?
Trazer partido o sentimento,
Essa insatisfação?
Será real o sofrimento?
Ou uma nossa criação?
De que lugares caímos,
Assim tão estrangeiros?
Algum dia, irmã,
Teremos sido inteiros?
Teremos tentado, irmã,
Esconder algo?
Teremos conseguido?
Temos sempre metade
Porque não somos inteiros?
Ou será, irmã,
Que a falta faz parte?

*De Umbris

A falta

Acariciou o próprio corpo, levado pela falta a ignorar a linha do patético, na tentativa de reproduzir o toque daquelas mãos finas e quase sempre frias. Fazia-se médium pra si mesmo do rastro que ela deixara em sua memória corporal, médium daquela ausência tão sentida, incorporando o modo dela de lhe tocar delicadamente a nuca. Sua própria nuca. Quase beijou as mãos, como ela faria, mas teve vergonha. Cruelmente mentia pra si mesmo, tentando ativar no seu corpo, na sua mente, os caminhos que conhecera quando tendo-a ao lado, apenas para acentuar a consciência da falta.

*De Umbris

Saturday, March 11, 2006

Mortalidade do viver

Há de ter "sentido" possíveis razões?
É o comum que me vem em sonhos.
E quando ao acordar vivo o que se é almejado...
me pergunto se deveria interferir no decorrer das coisas e..
pedir apenas dias repetitivos de conclusões atoladas de tarefas.
Seria como tomar café quando se fuma.
Ou sabe...
Beber o drink de sexta - feira.
Assistir ao passar das horas esperando o amanhã.
Seria a normalidade que choca com meu viver.
Então...
peço a mortalidade desse instante.
Devo sentir que ler o jornal de tragédias ao amanhecer...
poderia ser o que me faria quase a sorrir.
- Qse -
pois talvez me faltaria ...
estar só.

*DC

Saturday, March 04, 2006

Fausto & Werther




...
Ah! fui feito prisioneiro desta vil matéria?
Dessa masmorra escura a sofrer a miséria,
Onde até a luz celeste, para entrar, precisa
Romper dos vitrais essa cor indecisa? ...

*J.W. Goethe